quinta-feira, 26 de maio de 2011

Chuva

A chuva dança nos telhados;
Como uma bailarina;
Parado eu observo pela janela;
Imaginando um palco;
Com o céu pálido;
Eu sou o espectador;
Apaixonado e silenciado;
Notando com cuidado cada movimento;
Cenas únicas;
Os raios fazem um belo papel como grandes luminárias;
Deixando uma claridade divina para qualquer obscuridade;
O vento mantém todos os movimentos suaves;
As arvores distorcidas;
E a mim cada segundo mais apaixonado;
Hoje é dia de tempestade;
Eu sou apenas um romântico solitário;
Com um palco cheio;
E uma platéia vazia.

Dos homens.

Dos homens nada sei;
Grandes feitos, pequenas conquistas;
Não vejo semelhança;
Nem diferença;
Nem nas rugas do rosto;
Nem na clareira da alma;
Cada um tem um corpo;
Um coração;
Expressões;
A única coisa que sei é que;
Suas mentes deliram;
Sobre palavras;
Sobre túmulos;
Apenas uma coisa iguala os homens;
Sentimento;
E nada mais.

Sonho real


Olhe a sua volta;
Todas estas pessoas que não lhe notam;
Tantos olhos perdidos no horizonte;
Assim perdido ficaram seus sentimentos;
Em algum coração frio;
Quando se perde o melhor é sonhar;
Dias melhores;
Pessoas honestas;
Situações perfeitas;
Ao despertar da manha tudo desaparece;
Os seres frios;
Os que sugam nossa vontade;
Realmente existem maldades infinitas no peito dos humanos;
Gostaria de lhe fazer algo;
Não posso mudar o mundo;
Ou suas perversões;
Não posso desfazer o passado;
Posso reescrever o futuro;
Doar um pouco de mim;
Um sorriso seu já me retribuiria;
Um brilho no olhar;
Posso apenas mostrar que algumas vezes os sonhos são reais.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

fronteiras.

foi tantas as coisas feitas para nos separarem;
para deixar tudo mais distante;
tais barreiras invisíveis, e ainda assim palpitáveis;
fronteiras, políticas, religiosidade;
coisas assim nos deixam isolados;
inventando meios fictícios para nos encontrar;
vejo um mundo tão habitado;
e mesmo assim tão isolado
vivendo aglomerado é sozinho;
com um em milhões de amigos;
mas sem nenhuma companhia;
estamos enlouquecendo pouco e pouco;
sem notar estamos cada vez mais isolados;
fazendo aos poucos um coração fraquejar;
fazendo a mente trabalhar mais do que é capaz;
os corpos envelhecendo anos sem notarmos;
vivendo em uma época de pessoas descartáveis;
e genéricas;
assim esquecemos de viver;
apenas sobrevivemos;
sob fronteiras fantasmas;
com pessoas inventadas.